Sai de casa e vem comigo para a rua!

Sai de casa e vem comigo para a rua!

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Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Faz hoje 1 mês que comecei a fazer as minhas caminhadas diárias. Os que me lêem desse lado certamente não se apercebem do quanto a minha vida mudou neste novo ano. Aliás, o quanto fiz a minha vida mudar, que estas coisas estão sempre nas nossas mãos.

Por estes dias li, que “todos nós devemos brilhar, como as crianças”. O brilho não está apenas em alguns de nós, está em todos, e quando deixamos a nossa luz brilhar, inconscientemente damos permissão a outros para fazer o mesmo e que tudo à nossa volta também brilhe. É a famosa Lei da Atracção, nós somos magnéticos.

No corre-corre do meu dia-a-dia, nos últimos anos fui-me esquecendo de mim. Deve acontecer com muitas mulheres. Damos por nós a acordar de manhã, a vestir a primeira roupa que nos aparece à frente (quase sempre as mesmas coisas), colocar um creme de rosto à pressa (maquilhagem, só em ocasiões especiais e já lhe perdemos o jeito). Temos em casa todos os cremes e mais alguns, mas não nos lembramos sequer de os usar. Temos filhos lindos, transferimos para eles os nossos padrões de beleza e acabamos por esquecer que nós também somos lindas… Depois temos uma balança e um espelho que são os nossos maiores inimigos e evitamo-los.

Terminei 2017 a prometer que iria mudar. Apesar de me sentir muito bem-sucedida profissionalmente, sentia que precisava de recuperar a minha auto-estima. Tenho uns míseros 1,61m (o resto são tamancos de, no mínimo, 8cm) e estava a pesar 64kg. Claro, que vão chover (e chovem sempre) comentários a dizer que eu não era gorda. Cada um de nós tem um espelho em casa e cada um sabe de si. Se me comparasse com algumas mulheres, se calhar era a Miss Mundo, com outras seria um texuguinho. Mas eu não me comparo, vejo-me ao espelho.

Desde dia 1 de Janeiro deixei de atacar as bolachas do meu filho, comer bolos e outros lambiscos afins e, a partir de dia 18, passei a caminhar e a reduzir o consumo de hidratos de carbono. Como salada aos baldes (estilo porquinho) e, como sou do grupo sanguíneo O, tenho a sorte de poder comer quase todo tipo de carne (excepto porco). Depois, a minha hiperactividade trata do resto.

Hoje, a minha balança anunciou 58,4kg. Vou no bom caminho, que não me fico por aqui.

Agora, de véspera, penso na roupa que vou vestir no dia seguinte. Tenho descoberto no armário peças que não vestia há anos! Coloco o despertador para tocar 20min mais cedo e maquilho-me. Já para não falar do cabelo: cortei, à vontade, uns 20cm e, à frente, até deixei umas pontas em repa. De Maria Madalena passei a ter caracóis largos e esgrouviados. Esqueci o pechisbeque, lembrei-me que tenho lindas peças de joalheira que, a usar, só mesmo nesta vida.

Entretanto, porque sofro do mal das pessoas organizadas e arrumo tudo que é creme dentro do móvel do WC (ex.: de hidratante corporal, pelling facial, máscara detox, etc.), e nunca me lembro sequer de usar, tive uma ideia brilhante: imprimi um calendário, colei do lado da sanita, e comprei uma daquelas canetas com 4 cores que pendurei com um cordel no suporte das tolhas de rosto.
(Juro, a ideia foi minha, não copiei nem vi em lado algum!)

No calendário, em baixo, cada cor da caneta corresponde a um dos cremes com a qual vou anotando no calendário… Funciona! (Podem copiar a ideia, eu deixo). Aviso já que a miudagem acha piada à caneta e, tal como o meu piqueno, vão querer leva-la para a escolinha para substituir as BIC que as professoras pedem.

Resultados da mudança: vou trabalhar para a escola, alguns olham de lado, uns dizem “Mudasti!”, outros “Há mouro na costa!”. Ou então a pequenada:
– “Storinha, tá tão bonita hoje… deixe-nos sair mais cedo!”. Mas melhor mesmo:
– “Hoje a stora parece uma cantora dos anos 80!”
– “…. isso é bom ou mau?!” – e ponho o meu olhar de fuzilador.
– “É BOM!”
– “Vá, bom é vocês ouvirem músicas dos anos 80…”

Abro agora um parêntesis no que se refere a “Make-up”...
(Descobri que já era uma analfabruta na matéria! Passo a explicar: deu-me para ir ao Shopping e entrar numa loja da especialidade (a que começa por “S” e acaba em “ora”), e quase me deu uma coisinha má… Com tanta oferta e tão diferente, senti-me perdida, apeteceu-me fugir! Mas, veio logo uma moçoila muito bem (em excesso!) maquilhada perguntar-me se eu precisava de ajuda. Disse-lhe que estava só a ver. Vi. Mas não vi nada, fugi mesmo! Vim para casa e instalei uma App no telemóvel, “Curso de Maquillaje”, em espanhol. Instruí-me numa só noite, desde os materiais ao step-by-step. Descobri que agora existem coisas novas, como uma tal de pré-base chamada “Primer”, que as bases para as peles oleosas se espalham com pincel (esponja, já foste!), etc, etc. Para o cabelo, descobri que já não se usa espuma ou gel, agora há um creme, que os outros eram uma porcaria. Enfim… Depois de devidamente habilitada, voltei à loja e enfrentei a moçoila metida a esperta com a lição bem estudada!)
Parêntesis fechado.

Depois da azáfama dos meses que antecedem o Natal, em Janeiro dei por mim com bem menos que fazer e a sentir-me mal com isso, sem saber gerir essa situação. Vi-me, então, agarrada ao telemóvel a passar tempo a mais no Facebook e, no final, sentia-me, verdadeiramente, estúpida. O que eu gosto nas redes sociais é ler bons artigos que alguns amigos/bloggers escrevem ou partilham. Agora, quando estamos constantemente a ver apenas, e só, o que as outras pessoas andam a fazer, ou imagens com mensagens cliché… Balha-me Deus! Ora, se o fazia era porque tinha TEMPO a mais, só tinha de o saber gerir.

Caminhar tem um efeito terapêutico. Façam-no, deixem-se de desculpas! Eu prefiro mesmo caminhar sozinha, faz-nos muito melhor. Sou por natureza uma pessoa bem-disposta e agora ando ainda mais. Depois, sou uma sonhadora nata, passo a vida a sonhar. Nos meus sonhos sei muito bem o que quero para a minha vida e para a Groselha-espim, tenho-o muito bem definido e acredito que um dia vou chegar lá.

Certo é que me têm acontecido coisas boas sem eu sequer contar. Pensamentos bons atraem coisas boas. Em tempos li que a única razão pela qual as pessoas não obtêm o que querem é o facto de estarem a pensar mais naquilo que não querem do que naquilo que realmente querem. Eu sei bem o que quero e penso muito sobre isso. As boas energias propagam-se.

Enquanto caminho e ouço a minha música sorrio porque me estou a sentir mesmo bem. Eu, que nunca usei os phones que vêm com os telemóveis, estes dias vi-me desolada quando me esqueci deles. Também canto. Não sei se murmuro ou canto baixinho. Quando me cruzo com as mesmas caras, cumprimento-as com um sorriso ou aceno de cabeça. Depois ainda faço coisas inusitadas como saltar as poldras do rio Este, tirar um frasco da algibeira e tirar fotos! Às vezes rio-me de mim mesma: se calhar pareço tola, mas como já estou na idade que nada do que os outros pensam de mim me interessa, vou, canto e rio.

Entretanto, todos os dias compro uma raspadinha de 1€ no quiosque onde começa a minha caminhada. O saldo ainda não é positivo, o investimento ainda não se tornou rentável, pois só ainda ganhei 6x1€ + 2€. Como não tomo café nem tenho vícios, passei a ter este, mas só por desporto. Ser sonhadora e apenas remediada são duas coisas que não se coadunam muito bem. Vale-me a sorte de, mesmo não sendo abastada, já ser uma rica peça!

Deixo convosco uma das músicas com que o Spotify me brinda nas minhas caminhadas e deu o mote a esta publicação:
https://www.youtube.com/watch?v=Qxv9s3PTIzY

PS – Aviso já que não aceito comentários como “Se emagreces muito, olha que ficas feia!”, a menos que antes, quando eu era roliça, me tenham dito “És linda de morrer!”. Aprendam a abrir a boca para elogiar e não para dizer mal. Ok?! Lembrem-se que as pessoas têm espelhos em casa.

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